20090424

see how this love kills

"E então, naquele momento, parada em frente a ele, ela soube que morreria antes mesmo de suas lágrimas tocarem o chão."







Sunshine.
em breve. make us proud for days.

20090327

Versos Íntimos


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


Augusto dos Anjos
ao melhor poema da história.

20090315

O amanhecer do dia seguinte

"O sol daquela manhã jamais aqueceria meu coração."

Imagino que essas tenham sido minhas últimas palavras, pelo menos até onde eu lembro.

E o que eu lembro?

Ah, sim. Eu lembro. Esse segundo vai durar mais do que eu preciso e eu tenho certeza disso.

Desde sempre, as coisas pareciam confusas. Talvez erradas, mas era complicado de compreender. Eu sempre fora solitário, eu não tinha dúvida disso. Mas, até que ponto eu suportaria? Eu nunca havia parado pra pensar que talvez não fosse um ponto muito distante, uma linha tão complicada de se cruzar.

Houveram amigos, sim. Houveram até aqueles que se prontificaram a morrer por mim, com a velha concepção de amizade que eu nunca tive. Sempre por mim, sempre cuidando do que me interessava e deixando de lado os outros.

Não era natural?

Eu sempre achei que fosse. Agora, aqui, sentado há 21 andares do chão que sempre me falaram pra não tirar os pés. Estamos em outubro, e o frio é mais intenso do que deveria. Podera, sempre tive essa fascinação pelos amanheceres, e agora, seis e quarenta e sete da manhã não poderia ser diferente.

Meus pés balançam muito com o vento, mas eu ainda estou firme no parapeito do grande prédio comercial do centro. Cresci vendo esse prédio da minha janela, acho que é natural eu terminar aqui também.

Desde que consegui me esconder dentro do prédio no horário comercial do outro dia, eu fiz o possível pra não pensar em nada. "Se enganando, dói menos", é o que dizia um velho amigo de infância meu. Amigo esse que também se perdeu com os anos. Sinto falta dele, se é que isso é possível. Talvez porque ele sempre me ajudasse e não pedisse nada de volta, e como eu sempre fui um egoísta...

Subir 21 andares parece besteira pra todo mundo, povo inútil da cidade. Para eles, existem os elevadores. Agora, suba 21 andares até o seu fim, caminhando por uma escadaria vazia que ecoa seus passos e seus medos.

Um esforço extra e talvez mais um motivo pra pensar. A porta do terraço está trancada. Parando aqui pra pensar, eu deveria ter dado a volta e tentado de novo. Não que desse certo, mas eu teria mais tempo para tentar. Não sei direito o que, e nunca soube.

Por isso, acabei aqui.

"Em dois segundos eu vou acertar o chão", a frase da velha música ecoa.

2 segundos onde estou são mais do que necessários.

2 segundos dos 47 minutos que fiquei sentado no parapeito olhando para o chão do alto daqueles 21 andares e imaginando se valia ou não a pena sujar aquele cinza tão... Tão... Completo.

"O sol daquela manhã jamais aqueceria meu coração" são as palavras que digo em voz baixa antes de abrir os braços e agarrar o meu inevitável.

Sempre ouvi falar que nós morreriamos antes de se dar conta da queda... Mas e quando essa queda é uma escolha? Só mais uma escolha de muitas que todos deveriamos tomar durante a vida.

E como muitas, essa é irremediável. Irrecuperável. Mortal.

Meu segundo parece estar chegando ao fim, enquanto o chão cada vez chega mais perto, e as pessoas na rua ainda sem compreender o que seria aquela grande mancha escura caíndo dos céus, como um sinal de que algo, em algum lugar, não havia dado certo.

O vento assobia nos meus ouvidos. Sinto que começa a chover e o frio daquela manhã de outubro formiga na minha pele.

Então percebo que é aqui que tudo acaba. Aqui é o fim.

Eu fecho meus olhos.



(a city rose)
(a street of blood)



Thomas Hanauer,
15/03/09.

20090313

ghost of perdition

Três anos. Faziam exatamente três anos que aquilo tudo havia acontecido. Bren nunca havia de fato entendido como tudo aconteceu, ele só soube que aconteceu. Tempos depois, ele entendeu que sim, algo estava diferente nele.

Talvez as coisas agora começassem a fazer algum sentido maior, ele não saberia. Havia sempre outras garotas em sua cabeça, claro que haviam. Ele era humano, não era? E talvez esse sempre fosse o fato.

Sharon. Sharon entrou na vida de Bren do mesmo modo que um relâmpago corta os céus. Inesperada, eletrizante, implacável. Chegou e tomou conta dos sonhos, até o fim.

O fim.

Sharon sempre fora diferente de Bren, em todos os aspectos. Bren imaginava que eles juntos formavam um todo, que suas duas metades opostas completavam tudo que precisavam.

Mas é claro, sempre há um coração errado em qualquer história.

Nessa, não é diferente.

Agosto. Sempre fora o mês preferido de Bren. A primevera despontando com seus braços preguiçosos e floridos, e aquela antecipação no ar, que sempre ocorre antes do verão.

Mas esse ano ele sentia que não seria assim, algo novamente estava diferente dentro dele.

O que era aquela ansiedade? Porque sempre haviam fios de aço em sua barriga sempre que via Sharon? Ele não sabia, ele nunca saberia. Porque pra ele, pra ele sempre fora tudo do jeito que ele queria.

Então houve um dia que Sharon, aquela que ele considerava o amor da vida dele, começou a se comportar de forma estranha. Não havia sorrisos para ele, não havia beijos de despedida e nem mesmo as conversas, coisas que para Bren se tornarão tão necessárias e corriqueiras como respirar.

E ele nunca, nunca conseguiria parar de respirar. Entendem?

Então, finalmente, chegou.

É como ser atingido pela maior força do universo e continuar vazio. Vazio. Bren nunca pensou que entenderia como alguém poderia se sentir vazio, mas ao sentir que mil lágrimas e mil gritos não preencheriam aquela sensação de que falta algo, no fundo do estômago e dentro da sua cabeça, ele entendeu.

Entendeu que nunca dependeria só dele, e então ele deixou partir. Tentou esquecer. Mil anos, uma semana, tanto faz.

No fim, os nossos fantasmas sempre se vão.

- Sharon?
- O que foi, Bren?
- Eu sonhei contigo, Sharon, e tu me abraçava...
- São 3 horas da manhã... O que isso signifca, Bren?
- Tudo.




Thomas Hanauer.
13/03/2009.

20090312

I wonder where I am in my relationship to you ~

"eu não acho nada
deixa eu me enganar, nem toca no assunto
eu descobri que se enganando, dói menos"








I need to lose to make it right.

20090311

Erros.
Acredito que todos nós cometemos, cedo ou tarde. Mas sabe, o pior é que não existe fato concreto sobre erros. O problema é SEMPRE o julgamento dos outros.

Imagino que existem vários julgamentos para cada erro, do mesmo jeito que existem muitos erros pra alguns julgamentos.

Errei, de verdade. E entendi que o meu pensamento sobre julgamento dos erros só era necessário para as consequências. E, diabo, as consequências sempre me destroem.

Não vou tirar das minhas costas o fato de que errei, e que sim, me arrependo. Houve a infantilidade da minha parte, a falta de pensar no que me envolvia e eu me arrependo.

Peço desculpas nesse canto aqui, só pra reforçar tudo que já foi falado onde deveria. E eu tô pagando o preço.

Um preço caro pra caramba.

Eu errei e esperarei. Talvez as coisas não dêem tão errado, afinal o tempo é relativo.

Sim, eu sei que se tu ler isso, tu entende. 00010101.




obrigado por ler. :)

20090305

so, myself to burn

E chega uma hora que eu sempre mudo.

E chegou mais uma.

Quando tinha 14 anos, eu era um pequeno psicótico sem noção alguma de vida social e afins. Mudei.

Agora tenho quase 17 anos e preciso crescer de novo, essa mudança, agora eu percebo, é necessária.

Cresci. Deixei de lado as saídas, as bebidas e alguns amigos, também. Abri mão de coisas que gostava pelo bem de coisas que amo.


Talvez ainda dê tempo de mudar tudo e ser feliz do jeito que sempre quis.

e isso aqui é uma promessa, isso daqui é uma prova.


shout it out so fuckin' loud: a new me arises

20090221

"The lead guitarist and the main songwriter for the band Sentenced"


"Although you're gone
In memories you shall live on
A sleeping peace, now rest
The weight of the world is off your chest

Lower the flags
A good man has passed
He has reached the last of frontiers
Lower the flags
Down to half mast
For again the world has taken a turn for the worse"



Miika Tenkula
* 6 March 1974
† 19 February 2009


20090126

baby babyluv

where do you go when you're lonely?
where do you go when you're blue?
where do you go when you're lonely?
I'll follow you
when the stars go blue.


para onde você vai quando está sozinha?
para onde você vai quando está triste?
para onde você vai quando está sozinha?
eu seguirei você
quando as estrelas ficarem azuis.




Love: A História de Lisey

oh, it hurts like hell.

20090122

my heroes never fail me

- Tem vezes, que as coisas não dão certo.
- Mas eu sempre tento, pai.
- Tem coisas que não adianta tentar, Thomas. É como tentar colar um copo que quebrou quando caiu no chão.




Reni José Hanauer, pai e conselheiro. Meu herói.
A prova de que as pessoas podem mudar.

20090119

deus também escreve livros

"O verdadeiro amor, como qualquer outra droga forte que cause dependência, não tem graça. Assim que a fase do encontro e descoberta se encerra, os beijos se tornam surrados e as carícias cansativas... Exceto, é claro, para aqueles que compartilham os beijos, que dão e recebem as carícias enquanto cada som e cada cor do mundo parecem se aprofundar e brilhar em volta deles. Como acontece com qualquer outra droga forte, o primeiro amor verdadeiro só é realmente interessante para aqueles que se tornaram seus prisioneiros.
E como acontece com qualquer outra droga forte que cause dependência, o primeiro amor verdadeiro é perigoso."


A Torre Negra, Vol. IV: Mago & Vidro
Stephen King

20090118

walk with me

Who am I? In the back of my awareness, I find words: I'll call myself GOD and I'll spend the rest of forever trying to figure out who I am.



Venha-Commala-Ka.

Eu. Eu sou.

Se não fosse, não estaria aqui escrevendo. Sou um misto de conflitos, uma soma de nada com alguma coisa, subtraíndo minhas dúvidas. Em suma, nada.

Minha personalidade é forte - ridícula, mas forte. Falo o que bem quero, não me importo muito com as consequências. Sei a diferença entre medo e respeito e uso muito bem deste conhecimento.

Odeio cebola e tomate, assim como odeio nove décimos das pessoas que tive a infelicidade de conhecer. Chama-me de enjoado, fodam-se vocês, eu sei o que eu gosto, o que eu preciso e o que eu quero.

watch the space between what you want and what you need.


Eu quero mais do que mereço e preciso menos do que eu quero. Minhas necessidades são absurdas e conflitantes, tenho muito e não tenho nada. Minha tristeza é apática e cinza, não sei diferenciar amigos, amores de inimigos, ódios. Aprendi que confiança e liberdade são apenas estados de mente, não existem em fatos reais. Teorias não mantém ninguém vivo.

Amo o lugar onde estou e odeio as pessoas. Isso se aplica a tudo, tudo mesmo. Sempre vou ser idiota o suficiente pra achar um grupo de pessoas que vão gostar de mim, aí então eu vou errar, vou decepcioná-las e vou perder tudo. Vivo de recomeços e isso me machuca.

Tudo se resume ao que tenho e ao que quero.

tired of the trying, tired of the lying


Minto o suficiente pra esboçar um sorriso de satisfação ao ver as coisas darem certos e tendo fazer as coisas certas do modo certo. Não funciona. E existe sempre a esperaça de que talvez as coisas dêem certo, mas tudo indica que não.

Perdi mais do que tinha em um período de tempo que eu também não tinha. Apostei e perdi, me entreguei e me destruíram.

Pus meu coração perto da mão deles mais uma vez.

O que eu recebo em troca por toda a dedicação? Ódio, nojo, traição, desconfiaça. E o que tudo indica, o culpado sou eu. Porque eu tentei, entendem?

Eu sempre tento. O medo é o principal inimigo da felicidade, mas também o contribuidor mais amplo da infelicidade. Tentar resulta, muitas vezes, em fracasso. E ao que tudo indica, conseguir também resulta em fracasso no longo tempo.

21?

Não, nunca foi o nosso número.

Foi o pior dos números, a premonição do que eu já soube desde o começo, por isso o medo. Eu nunca gostei de 21. Agora eu entendo. Tu também entende, eu sei que sim. Afinal, somos os espelhos do que nos criaram, mas eu sinceramente esperava algo diferente.

Eu espero demais, eu esperei uma vida e me tornei um pessimista, porque eu tentei. E ao que tudo indica, o errado fui eu.

it's all a game, avoiding failure


Por que eu sempre ostento esse sorriso? Por que eu sempre tento? Cair nunca vai ser o suficiente, acredito que nada jamais vai ser o suficiente. Eu sou assim, o que eu poderia fazer? Não se concerta o que já nasce com defeito.

Tive vícios e tive manias. Transtornos, neuras, medos. Quis demais, esperei demais e não me preparei pro pior. Sempre mais, mais, mais. Meu erro foi esse.

Não somos a soma de erros? Não nos ajudam a levantar e seguir em frente?

Não.

Odeio ter necessidades, e as tenho em muito. Tenho necessidade de atenção, por mais que tente evitar. Tenho sonhos e desejos absurdos pra alguém da minha idade. Queria me perder nos olhos de alguém, queria alguém que se perdesse por mim, que morreria por mim. Alguém que sempre me fizesse bem, que não houvesse necessidade de me sentir vazio no final de tudo, alguém que valesse a pena e me entendesse mais do que a mim mesmo. Alguém que se importasse, não interessassem as consequências.

Queria não ter medo, dores ou dúvidas. Mas daí eu deixaria de ser humano, e isso já não sou eu quem controla.

Isso foi quase um desabafo. Quase o cacete, foi. Não me sinto melhor, eu sei que falta muito o que falar, mas aqui não é o lugar certo, aqui não atingiria as pessoas certas de modo algum.

Ka, khef e ka-tet.

Como um vento.

...but until I can find someone who stays and don't play games behind me, I'll be what I am.

A Solitary Man.






Thomas Hanauer
Itapema, Santa Catarina - 18 de Janeiro de 2009.

20081229

tonight I'll fall

“Nunca coloque seu coração perto da mão de alguém.” ~Stephen King


Apoteose


Chega uma hora que todo mundo deveria parar e pensar: mas que porra é essa?

Chega uma hora em que o mundo parece rir da tua desgraça enquanto tu só se dá mal, e não é um simples mal como prender o dedo na porta de casa ou bater com a canela na quina da mesa. É um mal pior. É um mal que dói mais fundo do que tu julgava possível doer. E faz mais diferença do que tu quer acreditar.

E, diabo, pode ser que tu tenha passado todos os teus anos da tua vida te achando forte, inabalável, invencível. Mesmo assim, quando tu quebrar a cara pela primeira vez, entender a vida e ver que nada, absolutamente nada é como te disseram, vai doer. Tu verá todas as paredes que tu envolveu teu coração, aquela fortaleza antes julgada inexpugnável, sendo derrubada, esmigalhada no chão.

Quer saber o pior?

Ela vai cair porque em algum momento tu abriu o portão tão fortemente guardado pra alguma pessoa. Alguém que tu julgou confiar, ou talvez até amado. Aquela porra toda vai ao chão só pra provar que no mundo não resta nada além de ti mesmo, porque o resto pode ser só uma ficção inventada por alguma mente em coma profundo e o universo pode ser só tu. Por quê? Porque tu sempre só quis te proteger, enquanto os outros, de um modo ou de outro, só conseguem te colocar pra baixo.

Deve ser da natureza humana.

Deve ser da natureza humana confiar, amar, destruir. Por que tem que ser assim? Porque só assim as coisas funcionam. A tal da competitividade, o mundo é dos melhores blah blah blah me desculpa eu sou um perdedor pise em mim.

Porque a vida tem que ser tão difícil, quando tudo poderia ser simplificado? Porque tu não ressona na mesma freqüência? Tu ama, tu se preocupa, tu se dedica... Só pra chegar alguém lá e meter o pé na porta da tua fortaleza e pôr tudo abaixo, como se isso fosse completamente normal e aceitável.

Talvez seja.

Talvez quem pense como eu tenha nascido pra perder com um sorriso besta no rosto de quem não entendeu nada, um sorriso de compaixão, por não entender e entender ao mesmo tempo. Ou talvez por querer não entender, mesmo sabendo que no fundo entende perfeitamente, mas não nasceu com o instinto humano básico de ser um filho da puta.

Então, quando tu finalmente cai, depois de ter julgado extinguida a ferrugem do velho coração, que aquele frio fora embora, tu vê que de nada valeu cada segundo de esforço, cada lágrima engolida, cada noite de sono perdida.

Tu entende que tu nunca foi invencível, quem dera indestrutível. Tu era fraco desde o começo, tu foi fraco por confiar, tu foi fraco por amar, tu vai continuar sendo fraco até que a velha crosta de ferrugem volte a cobrir teu coração e ele esfrie de novo. E quando tu conseguir, tu de novo vai dar de cara no chão, porque tu perde a si mesmo no momento que tenta entender os outros. Tu se perde pelos outros e tu morre por isso.

Morre mil vezes se for necessário.

Morre porque é humano, porque é fraco, porque confia, porque ama.

Se fosse fácil, não teria graça. Mas ninguém nunca disse que precisava ser doloroso, mas é. Dói como o inferno, dói mais do que tu julgava poder.

Faz mais diferença do que tu quer acreditar.


Thomas Hanauer

20081228

Daqueles sem Esperança

3 da manhã e eu simplesmente não sei.

Sentado aqui nessa mesa, cheirando o cheiro úmido de suor e frustração, o suave palpar da música e da decadência. A leve fumaça do meu cigarro sobe, marcando caracóis na imensidão atômica dos meus cabelos. O copo, já vazio, quieto, me observa.
Há 15 minutos que um homem ao canto vomitou e caiu, provavelmente se afogando no próprio vômito. Pergunta se eu me importo? As prostitutas continuam dançando, os bêbados continuam se afogando e eu aqui, escrevendo. Por quê? Porque é o que eu preciso, é o que eu vou fazer pra me manter são nesse âmago da humanidade.

Sim, o âmago, a apoteose, o cúmulo. Ironicamente, é aqui onde se vê do que somos feitos. Ambições, sonhos, memórias. É aqui onde perdemos nossas ambições, enterramos nossos sonhos e bebemos para esquecer.

Mas esquecer o quê, você se pergunta? Esquecer o passado, esquecer dos velhos amores, das velhas manias, dos velhos empregos, dos velhos ditados. Esquecer que já houveram tempos melhores, esquecer que jamais existiram esperanças. Esquecer do presente, esquecer de si mesmo, esquecer de existir.

A magia etílica lentamente te leva pra onde você quer, aqui, no âmago, na apoteose, no cúmulo. Não é engraçado como tudo cai em pedaços ao seu redor? O piano martela as notas em desarmonia, assim como batem os corações das pessoas ao meu redor. A morte bebe ao lado, companheiros. Todos sabemos disso, mas pergunte se nós nos importamos?

Passamos a vida inteira andando rumo ao norte, mas damos um passo para tráz e a vida inteira andando para o norte se resume em um passo para o sul.

Poderia ser tudo de outro jeito, poderiamos ter dado certo, poderiamos estar lembrando de que ser é algo necessário, que há amor e que há esperanças. Mas o copo aguarda, a fumaça, as prostitutas e o piano. Somos, em suma, um resumo de nada que pensa alguma coisa que não existe.

E há outro modo?

Talvez houvesse. Talvez quando ainda o nosso coração batesse jovem e forte.

Agora, só a decadência, a fumaça e o copo.


Thomas Hanauer