20100915

rotina (os lados)

Era só um dia como qualquer outro. O despertador o arrancou dos sonhos para uma realidade que não parecia promissora. A rotina ia lentamente consumindo a sua força, a sua vontade. Todos os planos pareciam pálidos, e ficar sentado lendo parecia um bom jeito de passar as horas cada vez mais vazias. As músicas estavam sempre entonando o ar, mas não prestava mais tanta atenção.

Ele se vestiu, como sempre. O sol ia filtrando pelas frestas da janela, esquentando o aço que passou a noite protegendo o quarto do mundo frio lá fora. O barulho das ondas lavando a areia, hipnotizando o mundo com seu suave murmúrio. Os minutos vazios onde ele esquecia quem era iam ao pouco indo embora, e o peso da realidade caía. Não havia perspectivas pro dia, não havia vontade. Era automático, era rotineiro, a vida não vai mudar hoje.

20100710

nas sombras daquele banco

Não havia dor maior, vazio maior para ele, do que ver tudo o que tu queria para ti na vida dos outros.

A noite já encobria o pátio, e as luzes amarelas de sódio cobriam o rosto de todo mundo, se fundindo com a luz branca dos longos tubos fluorescentes. Conversas, sussuros, e a luz artificial fazendo sombras nos rostos, mesclando riso e choro em cada um.

E lá estava ele, sentado sozinho nas sombras daquele banco. Esperando, como sempre. Esperando pela chance de agradar, de talvez ganhar um abraço, um sorriso. Ele sabia que não deveria fazer isso. Ela não sei importava e mandava-o se preocupar com ele mesmo, mas não sabia ela que era isso o que ele fazia. Uma gratidão, um abraço, um sorriso era pensar em si.

Ele já devia ter tido embora, ter ido fazer suas coisas, ter seguido com seus amigos. Mas ele sempre tenta, e agora espera.

Seus olhos acompanham o movimento das pessoas, até que um grupo de pessoas para mais adiante e ele a vê.

Tu já acordou de um sonho ruim, respirando pesado no meio da noite nenhuma, assustado por ver a pessoa que tu mais ama indo embora e não poder fazer nada?

Um arrepio horrível subiu suas pernas, um buraco sem fim se instalou em seu estômago, seu coração pareceu falhar. Os braços dela ao redor de outra pessoa, os lábios se abrindo, os olhos fechados. Outra pessoa tirando a minha garota pra dançar.

Enquanto seu mundo gentilmente acertava o chão, um sorriso triste percorreu seu rosto enquanto ele voltava para seu banco solitário. E esperou.

Um segundo, uma hora, não importava. Ela se sentou ao seu lado.

- Que bom que tu me esperou. Tentei vir mais cedo, mas nem tive como.

Nem um abraço, um beijo, um carinho. Só um garoto ao acaso sentado sozinho.

- Bem, tenho que ir indo, a gente se fala amanhã. - Ela encosta de leve o rosto no dele e quando ele pisca, ela se foi.

Suas mãos se cruzam em frente aos joelhos ao vê-la partir. Uma pedra do tamanho da sua diferença, do seu vazio, se entala em sua garganta.

- Obrigado por ter vindo.

Suas palavras se perdem no pátio agora vazio. Ele não pretende sair de lá tão cedo, não há pra onde ir, ninguém que esperasse por ele.

Em suas mãos cruzadas, os dedos escondendo a primeira parte de linhas e linhas sobre coisas que ele desejava.

E essas linhas tinham acabo de levantar e ir embora, deixando-o sozinho nas sombras daquele banco.


- Tu deveria aprender a hora de desistir.
- E já é hora de desistir?
- Já passou da hora.


t.

calendário

O interruptor, como sempre, trancou. Meus dedos desistiram dele assim que viram a luz azulada entrando pela janela aberta. O barulho das ondas enchia o quarto, o cheiro de maresia entrava pelas frestas. Era só mais um dia amanhecendo. Eu acho que eu nunca havia parado na porta e reparado nele de verdade. Cheguei a conclusão de que ele era o que eu imaginava quando eu pensava no quarto dentro da minha mente. Livros de memórias, CDs com músicas que cantam memórias, uma tela grande para acessar um outro mundo. Uma janela pra entrar a luz.

Atravessei o quarto sem fazer barulho. A cama ainda estava arrumada, como eu havia deixado noite passada antes de sair. Fui defronte à janela, e sentei, sentindo o colchão afundar embaixo de mim. O mundo acordava, e eu me peguei pensando quantas milhões e milhões de vezes aquelas ondas batiam ali. Era a única certeza, a única variável da vida delas. Como eu invejei as ondas naquela manhã.

Eu não sei quanto tempo eu fiquei ali sentado, mas não deve ter sido muito. O céu continuava naquele azul metálico, denso, sem uma única nuvem no céu. O mar era mercúrio. A luz suave, branca, fria, batia por todo o quarto. Acho que ao ver aquela luz que a verdade resolveu bater à minha porta. Quantas vezes eu tinha visto o rosto dela naquela mesma luz? Vi seu sorriso, vi seu gozo, vi a inocência do sono dela. Até mesmo lágrimas eu já havia visto dela por aqui. Havia tanto dela por aqui.

O que me fez chorar foi o cheiro.

O cheiro dela estava em tudo, e principalmente em mim. Era suave e único, parecia beijar minha boca e se infiltrar nos meus pulmões. Dava razão às minhas lágrimas quentes. Em um canto, a carteira de cigarro que nós preferíamos, que sempre se mostrava presente no final de tudo de melhor que nós fazíamos naquela cama. Era o nosso ritual, e era nosso, o que fazia toda a diferença. Um livro que ela esqueceu ali estava em baixo do travesseiro dela, do jeito que ela me mostrou mil vezes. Meus dedos percorreram a capa marcada, e o cheiro dela estava ali também. Abri a página e senti um nó na garganta ao saber que ela jamais buscaria aquele livro, e que talvez jamais terminasse de ler, ou chegasse na última página e visse as palavras que eu havia escrito, frases de saudade nos dias que ela não estava ali comigo. Minha respiração estava pesada, e eu sentia meus pulmões tremendo a cada respiração profunda. Sentia frio também, mas eu sabia que não haveria cobertor que esquentasse. O vácuo era frio. Era algo que eu sabia, Física era a minha área de escolha, junto com os livros que eu escrevia. Mas eu não sabia que poderia existir vácuo dentro do meu peito. Um vazio tão intenso, tão frio, e ainda assim, ecoando nas batidas fortes da velha fortaleza de gelo.

Um gemido baixo escapou sem querer, um tremor. Não havia nada que eu poderia fazer, e doía tanto. As manhãs que eram nossas agora eram algo que eu teria que aprender a viver sem. Todas as promessas, todos os sonhos, todas as peças, os rituais, as brincadeiras, eu teria que viver sem elas. Eu não sabia se eu conseguiria, me faltava o conhecimento de como eu faria tal coisa. Dor, a dor era real. Não havia ferimentos visiveis, não havia sangue. Mas doía, parecia comprimir, parecia que eu ia ruir pra dentro de mim mesmo, e tudo o que eu via, era ela. Eu me recusava a olhar para as fotos, para os desenhos, para qualquer coisa. Eu só olhava pro mar e sentia o livro nas minhas mãos, e as lágrimas queimando, derretendo. Quantas horas demoraria para o sono finalmente vencer o medo e eu conseguisse sonhar? Eu sonharia com abraços, com beijos, acordaria chorando. E me perguntaria o que aquilo significava. E o que eu me responderia?

Eu responderia que significa tudo.

t.

20100707

mais cedo do que o sol

Enquanto o sol lentamente, friamente, ia entrando no quarto, iluminando o seu rosto cansado, o mundo pareceu suspirar. A janela escancarada mostrava cenas que ele não reconhecia mais, e enquanto o sol subia e os pássaros voavam pela neblina baixa daquela manhã, lembranças brincam de esconde-esconde com todas as sombras do quarto. Uma música suave tocava em algum lugar do quarto, mal sabendo ela que à partir de hoje, nos anos que se seguirem, ela sempre vai provocar arrepios e uma dor grave, funda. Virou a melodia daquela dor.

Estava frio, mas ele não se importava, mal notava. Apele se arrepiava, e ele não sabia se era pelo frio, pela luz gelada da manhã. Podia ser do sono, do medo, da saudade. Podia ser do vazio.

O mundo acordava, o sol nascia, mas em algum lugar dentro dele, muitas coisas pareciam morrer. Algumas eram mortas pela mágoa, doce amargura. Como ele conseguiria seguir adiante? Queria ele saber. Queria ter a certeza do sol, que nasce e morre todo dia, seguindo seu caminho até sua luz entrar em colapso. Uma hora ou outra, ele sabia, ele iria descobrir como conseguiria, mas a certeza do desconhecido o assustava mais que tudo.

Ele não se importaria se ela tivesse ficado um pouco mais.


t.

20100706

teu fantasma aqui na chuva

As balas zuniam em volta da sua cabeça. A fumaça subia em espirais, o cheiro do sangue e sujeira se fundia com a pólvora quente. O peso da arma e a textura do cabo de madeira agredia sua pele.

Ele havia perdido tudo nessa guerra. Cada barulho de explosão e estampido de tiro
queimava fundo nas feridas muito mais profundas do que qualquer corte ou ferimento de bala.

tu vai (me amar ainda) esperar por mim?

O barulho de trovões enchia a noite, silenciando os gritos de guerra, os desesperados gemidos dos que só esperavam para morrer. Suas costas se encontravam em um ângulo torto em relação a pedra fria.

Todas as peças caindo ao seu desejo.

Ele teve que vir, era seu dever.

como tu supõe que eu vá (viver) lutar sem a certeza te (beijar) encontrar aqui de novo?

A chuva cai, mas não lava o sangue seco nas suas mãos. Como ele queria que a chuva o lavasse até os ossos, apagando os olhos dela, todos esses sorrisos e essas lembranças boas demais para que ele quisesse morrer ali sem elas.

A dúvida doeu mais do que a bala que atravessou seu pulmão.

eu vou voltar se eu (tu) quiser, mas tu (eu) não vou estar aqui, de qualquer modo

Enquanto seu rifle cai inútil na lama e seu sangue se diluindo na chuva e barro, ele deita sem gritos, sem desespero.

Os clarões iluminavam o céu, e bem ao longe naquela planície sangrenta, uma estrela brilhou pra ele. Se ele fechasse os olhos agora, a imagem ficaria gravada ali, pra sempre, gravada como um planeta, tão mais próximo dele. As mãos ensangüentadas e sujas se contraem inutilmente. A foto que escapa dos seus dedos se perde na lama, assim como ele a tinha perdido.


eu e ele estamos juntos (minha garota), muito melhores agora.
tu sempre soube que seria (tirada pra dançar por outro garoto) assim.
eu não esperaria por você (a chuva).
não precisa responder, não faria diferença (adeus).
boa sorte onde quer que esteja.


t.

20100705

tuas asas

O sangue gotejava lentamente. A pia brilhava escarlate entrecortada por pingos de água. O espelho era sujo, estrangeiro. O espelho não reconhecia o rosto parado em frente a ele, mas reconhecia sangue, é claro que reconhecia.

O rosto ali parado ostentava olhos fundos, brilhantes. Vazios. A face atrás dos óculos de aros finos ia lentamente empalidecendo. Seus braços abriam-se em arcos ao redor da cerâmica, seus pulsos pulsavam. Em um deles, a lâmina ainda se achava presa no meio daquele mar vermelho, que ia secando e coagulando contra o branco.

Se pudessemos ler aqueles olhos vazio, o que leriamos? Que pesadelos isso iria nos trazer? Noites delirando sobre até que ponto vale continuar tentando? Até onde as peças podem ser postas no lugar?

A lâmpada fluorescente pisca e falha. Ele está no chão, de braços abertos. O sangue formando asas para levá-lo onde ele mais quer estar. No espelho, escrito a dedo com o que sobrou dentro dele, o seu epitáfio em sangue, suas últimas palavras. Uma demonstração de tudo o que ele foi.

"Desculpa por essa bagunça."

t.

20100704

assim tão longe

O sol se deitava lentamente na água. O laranja se mesclava com o azul e rosa dos céus, e cada grão de areia parecia brilhar em chamas. Sob seus pés, bilhões de mundos escuros eram triturados por seus passos. A praia continha sua areia negra e ela continha um coração em dúvidas. Pensamentos como redemoinhos, olhos tristes que viam o sol se pondo e contemplavam seu fim, sabendo que ele voltaria a brilhar pro mundo pela manhã, mas não para todo mundo.

Seus pés cansados pisam em algo que poderia ter vindo daquela praia, daquele mesmo lugar, mas ela jamais poderia saber. O vidro ainda estava intacto, e fragmentos grudavam na superfície brilhante e transparente. Seu vestido simples, suave, fez voltas em suas pernas quando ela se abaixou para pegar a garrafa, e um sorriso de dúvida se formou em seu rosto ao ver que havia um pequeno canudo de papel dentro da garrafa. Seus olhos circundaram a praia, e só ela havia ali. Seus dedos abriram a garrafa, e ela balançou a garrafa até que o papel caisse em sua mão.

Linhas de tinta corriam a página, em uma caligrafia limpa. Ela falava sobre beijos longos, respirações pesadas em harmonia. Ela falava sobre um companheirismo de longos anos, de muitos poréns, mas indestrutível, inferrujável.

Quantos anos separam aquela praia de areias negras daquele amor? Seus olhos antes secos agora incubam toneladas quentes. Deve ter sido um amor tão bonito, ela pensa, para ela ter coragem de tocá-lo ao mar, e quem, qual pessoa, razão, ela queria mostrar tudo o que teve? O sol brilhou na garrafa enquanto ela caia aos seus pés, e seus passos não foram interrompidos pelos cortes enquanto ela ia adiante, cada vez mais adiante na praia de areias negras. Negras e agora salpicadas de escarlate.

Passos e mais passos, pensamentos em turbilhão, e ela vê cada vez mais perto o velho penhasco no fim da praia. Quantas vezes ela sonhou com aquele penhasco, sonhou com cada pedra, cada grão, cada mundo contido naquele enorme paredão, a apoteose de tudo o que ela era. A água laranja lambia as paredes, feroz, clamando.

Enquanto ia chegando mais perto, com sua cabeça longe, nas nuvens, não se importando com nada, nada, como sempre havia feito, outra garrafa.

Era irônico, não era?

Abriu-a e notou que a caligrafia era fina, rápida, cheia de agonia. De quem eram as lágrimas que borravam essa tinta? De quem era a dor e essa incerteza? Ela não sabia, mas entendia. Seus olhos queimavam enquanto percebia que não sabia se ele havia tido a chance de falar sobre tudo para quem ele escrevia, se algo havia mudado, e quantas noites ele deve ter passado acordado pensando nas chances de ela ler tudo. Por que ele não viu que estava no fundo, por que ele não viu o que vinha a seguir? E ela chora pela dor indireta, sem saber, sem saber.

Seus pés agora alcançavam o penhasco, e o sol já era abraçado pelo mar, velho companheiro de tantos outros corações quebrados. A vegetação fina balança ao vento, e o vento parece brincar entre as areias negras, sussurando tudo o que ela queria ouvir, tudo o que ela precisava ouvir. O sol brilhou, ela sorriu, e seus pés cansados e escarlates disseram adeus para a praia das areias negras.

Vamos dizer, então, que ela está tão melhor assim tão longe.

E ela nunca foi tão feliz como está sendo enquanto o mar a abraça junto com o sol.

Ela está tão melhor assim tão longe.

20100630

essa velha cela enferrujada

O final do dia ia se insinuando. Um recorte laranja ia subindo pela porta, filtrado no vidro sujo daquele quarto.

Os sussurros que vinham das paredes, se fossem ouvidos com cuidados, falariam de um tempo melhor, um tempo onde havia risos de crianças, gemidos, promessas de amor. Era um quarto onde a outrora cuidada cama de casal jazia no passado, e tudo o que sobrara fora um amontoado de colchas no chão sujo.

(eu não sabia o que fazer era tudo escuridão dentro da minha cabeça e quando eu vi ah quando eu vi eu estava correndo pros teus braços sem saber se isso era certo e não havia mais jeito de me livrar daquilo não agora não quando estava no meu sangue)

Três frascos estavam do lado do amontoado de colchas, que parecia respirar, parecia viver. Mas não, ele sabia que não vivia mais, as consequências só tardavam a chegar. As seringas espalhadas pareciam refletir as palavras de fracasso em sua mente cansada, seus olhos injetados. Livros e mais livros se misturavam perto das paredes. Os ossos a mostra resultavam na falta de qualquer tipo de restos, e só a fuligem, o pó e o fracasso por não poder fazer nada estavam ali com ele. Um pedaço amassado, mil vezes abraçado, de uma fotografia antiga estava na mão que saía do amontoado sujo do chão. E era de fato só um pedaço, e só mostrava aquilo que ele mais amava, e quando a doce corrente transbordava naquele sangue, e foto ia caíndo em direção ao chão, e ele sonhava antes mesmo de ela acertá-lo.

(pai olha só eu desenhei pra ti é você meu herói e lá estava ele sorrindo e eu nunca vou conseguir esquecer aqueles olhos brilhantes e ela e ela estava lá também e o sorriso dela era um ótimo porquê e cá estou eu sempre predisposto a esquecer a melhor parte um herói morrendo sem honras)

Seus olhos se abrem pro mundo de novo, e sua respiração está muito mais fraca agora. E seus olhos esquadrinham a porta, os livros e o jogo de luzes que o fim de tarde produzia neles. Era a cor da dor, quente, insinuante, transformando tudo em ferrugem. Era a dor de quem não pode fazer nada, só sentar e assistir, como uma platéia vendo um malabarista se soltando de suas cordas e mergulhando de encontro ao chão, seu velho amigo. Não é engraçado como tudo cai em pedaços no final?

(e seus ossos eram os meus minha casa era a sua casa e só o que faltava era entender que a vida deles não era eterna e que deveria chegar a esse fim o que doia era pensar pai pai pai eu fui primeiro olá amor como foi no trabalho e eu vim aqui só pra pedir que você não se esqueça de lembrar de mim e quando tudo caiu e o medo de perder me afastou eu corri dos teus braços e eu não soube quando tempo eu aguentaria tudo isso evidente cravado nos meus olhos)

Dez mil fragmentos de vidro jaziam perto dos livros, pedaços rachados de madeira, cinzas de fotos queimadas. Era assim, então. No meio da sujeira de tudo que um dia ele foi, frascos e seringas pra apaziguar a dor, aquele vazio imenso que se instalou, que nunca conseguiu preencher. E quando os dias passavam vazios, em meio a livros, algumas bebidas e lembranças, lixo, perda e eventuais saídas pra se alimentar do que quer que encontrasse. E em uma dessas, ele encontrou a solução. E sua respiração era inversamente proporcional ao alívio que ele sentia ao ver tudo escurecendo.

(ei amor posso tirar uma foto do teu sorriso eu acho que eu quero ele assim pra mim sempre radiante radiante do modo que ficou o teu orgulho quando tu viu o nosso filho caminhando pela primeira vez brilhando e sabendo que ele parecia comigo e como tu esperou esses primeiros passos os primeiros balbucios e era tão irônico me ver sussurando na sua barriga feliz por ter te provado que a vida ia mais adiante do que tu sempre achou e tu sorriu)

E então ele abriu seus olhos pela última vez. As seringas rolaram pra longe, e ele sentia espasmos de seu estômago tentando retirar algo que não estava lá. Os frascos se quebraram embaixo dos seus braços, e ele se deliciou em ver o sangue vertendo da dobra do seu pulso. Uma forma inconsciente de acalentar o processo, de evitar que houvesse chance. Ele suspira, sorri e seus olhos fecham para o luz e a sujeira daquele quarto solitário, em um lugar que já não importava.

(e você se perguntava tanto porque eu tentava te mostrar todas essas coisas e enquanto tudo estava apagando dentro da minha cabeça eu entendi eu nunca tive medo de morrer tive medo de continuar vivendo sem lembrar o porquê só que é claro que a vida nunca funcionava assim não pra mim e vocês foram primeiro foram tão rápidos do jeito que vieram e enquanto as luzes se apagam eu gostaria de citar que você é o motivo de eu não estar com medo predisposto a ser eternamente o herói de algo que não luta mais e eu nunca deixaria vocês serem testemunhas disso mas mesmo assim eu nunca pude deixar de lado as evidências e vocês foram todas elas)

A noite já entrava pelo quarto, e luz naquele quarto jamais haveria outra vez. Os livros da base da pilha já iam começando a se escurescer ainda mais, empapados no sangue que escorria. Os cobertores por fim silenciaram sua respiração, e os sussurros e risos vindo das paredes cobraram sua dívida. A sujeira agora era escarlante, e escarlate era também a foto que continuava firmemente presa entre os dedos sujos. O sorriso continuava lá, petrificado pra todo sempre.

(e eu estava protegido nos meus sonhos com vocês)

20100621

this heart of mine

...e o dia ia nascendo, mais rápido do que ele queria. A luz fria, clara, completa da manhã ia lentamente colorindo o quarto. Ele não sabia, de verdade, se deveria ser grato por esses suaves raios. Por um lado, quantos mais raios, mais ele veria ela ali, deitada ao seu lado, dormindo virada pra ele, acomodada em cima da curva do seu braço. Por outro, cada segundo de luz era um segundo se aproximando da hora dos beijos de despedida e do inevitável vazio que se instalaria no seu corpo. Mas por enquanto, nesse interminável segundo, ele sorria. Sorria ao som suave da respiração, sorria aos seus pensamentos, sorria ao momento. Um momento tão único, tão inesperado, e ainda assim, sonhado em mil horas acordadas. Outros sussurros, outras respirações, provavelmente também enchiam o quarto, mas para ele, era só ela, como se o mundo se negasse a entrar em foco, não querendo atrapalhar a luz daquela estrela tão brilhante. E ela também sorri. E na incerteza, ele sorri também, torcendo para que aquele sorriso seja pra ele, seja por ele, para sempre. Ele chega mais perto, e abraça forte, sentindo a pele dela contra a sua, sentindo a respiração quente brincando no seu pescoço, e ele jura pra si mesmo jamais deixar isso morrer, que ele amará pelos dois se for preciso, que ele vai se perder em um sorriso e acordar antes de acertar o chão. É um jogo de risco, onde ele provavelmente não será o vencedor, mas enquanto a luz faz o seu trabalho e os aproxima da hora de um suave adeus, ele a abraça forte como se não existissem segundos a correr...

20100426

so see how long I can last

(you can pretend that I don't exist for you and I can laugh about it now)


(but I hated every minute)


(and each day that you forgot to call, just made me feel so low)


(I tried to call, I just couldn't wait)


(OK OK OK you've won)

(you make me feel so low)

porcupine tree

20100421

martyr

"Obrigado", ele dizia.
"Obrigado por pelo menos tentar."
Palavras são como adagas de dois fios, e por fim ele soube.




cracking you, skye.

20100309

rascunhos - IV

E é como acordar de um sonho e não lembrar dele: tu não entende, mas compreende que talvez seja melhor assim. Talvez seja como compreender o porquê do sorriso dela fazer teu coração disparar loucamente, mesmo que tu não entenda.

Eu acho que em momentos em que as coisas dão errado, é quase humano tentar entender, mas nós falhamos em simplesmente compreender a situação. E nunca compreendemos que somos apenas pequenas faíscas de vida no mundo, e que por mais que sentimos a dor da perda ou o palpitar fundo no peito causado por um sorriso, muitos outros já sentiram isso também e falharam em compreender.

Poetas tentaram entender, grandes conquistadores tentaram entender, cientistas e santos morreram pra entender. E todos falharam em compreender que entender não é algo feito para nós. É algo feito pra se sentir, por pior que sejam as consequências.

Vivi o suficiente pra ver amigos fazendo loucuras, gente se embebedando até vomitar. Vi gente que eu amava se entregando ao mundo e achando isso lindo. Vi um velho coração maltratado batendo forte de novo por alguém. Vi olhos que brilhavam se apagarem por pegarem o caminho mais fácil, sem se lembrar do gosto da vitória final.

Não entendo nenhum, mas compreendo todos, por pior que sejam as consequências.

Para aqueles que são fortes, sejam fortes. Não estar lá e não desistir é sempre o melhor. Por mais que o resultado seja ruim, lembrem-se do gosto de competir e tentar. Lembrem-se de compreender antes de chorar por não entender.


thomas.

rascunhos - III

E ela parecia tão impossível pra ele.

Jack sabia que não deveria pensar assim, mas havia outro jeito? Às vezes um coração partido precisa de um apoio pra manter as lágrimas que inevitavelmente o enferrujarão. E às vezes ele consegue.

Os fantasmas de Jack haviam se ido. Praticamente todos haviam ido e deixado nele uma sensaão de vazio. Vazio, compreendem?

"Enquanto você coloca meu mundos em pedaços, por favor, tente fazer isso gentilmente."

E Jack se acostumou a isso. Jack passou a olhar o mundo com olhos mais leves, com intensões menos eternas. Passou a pensar no corpo antes do coração. Passou a dar mais valor à carne do que ao sorriso. Ao copo do que à companhia.

Jack foi se perdendo nos outros pra conseguir achar alguém que mudasse tudo, alguém que fizesse valer a pena.

Até que um dia, quando o mundo provava pra ele que uma consciência pode pesar mais do que tudo no universo, ele entendeu.

Um relance, olho ao olho. Um sorriso.

Um mundo de preocupações desabando ao chão. Um mundo de vergonha emergindo daquele coração solitário.

Seria mesmo?

Talvez sim. Talvez não.

Não era a paixão à primeira vista um misto de sombra e luz, verdade e mentira, sim e não? Não era a paixão um paradoxo?

O problema de tudo é explicar isso pra Jack naquele momento. O tempo parou, o chão sumiu e as velhas borboletas impacientes rodopiaram em seu estômago.

Cores desbotando no velho mundo cinza, como a hipnotizante dança da aurora do norte, nas noites frias. Noites sem sono lembrando gestos. O crescimento de uma velha necessidade de ser e de estar, a necessidade de ver um sorriso.



E agora ele sentado ali, com as luzes num tom tão único, olhando fundo nos olhos dela.

Porque não havia medo agora que os olhos dela brilhavam cada vez mais perto dos dele?

Acho que é hora de respirar fundo antes do mergulho.

E ela sempre pareceu tão impossível pra ele.


thomas

rascunhos - II

O sol entrou no quarto, seus raios filtrados pela cortina branca. Uma brisa leve se arrastou por baixo da porta, revirando folhas de papel, derrubando canetas e trazendo novo fôlego ao aposento. No canto oposto à pequena porta de entrada, havia uma cama de solteiro e um bidê. Um banheiro, à esquerda.

Fora os papéis espalhados, tudo seguia uma fina ordem. Quadros alinhados nas paredes, enfeitos emparelhados na discreta mesa de centro, cortinas fechadas em igual medida.

Trent estava deitado na cama, com uma folha fina sob o rosto. Um lápis escuro havia escorregado de sua mão até o chão. Mil sóis se refletiam no copo parado à cabeceira da cama.

Ao longe, gritos de crianças, pássaros, carros e todos os sons normais do mundo.

Trent foi puxado de volta ao mundo pelo suave som do despertador em cima da mesinha de centro, ao lado de três livros de capa simples. 'Passado', 'Futuro' e 'Desconhecido' eram as legendas que decifravam cada um. Com um grunido suave, ele se levantou. Não era de seu feitio se demorar, ainda mais depois da insistente e estridente ordem do despertador.

Se espreguiçou brevemente enquanto colocava uma calça e uma camiseta leve. Não fazia calor lá fora, mas também se o abuso de roupas viesse, com certeza isso mudaria ali dentro dele.


thomas.

rascunhos - I

A madrugada se estendia pela cidade.

Cirus caminhava por entre as luzes da cidade apreciando a melancólica boêmia desse fato, a já estuprada idéia de virar a noite nas ruas sujas e movimentas. Seu olhar vago não era atraído por nada em particular, apesar de seus ouvidos captarem todo e qualquer ruído particular naquela cidade, os carros, os gritos, as conversas entrecortadas, a decadência dos fatos.

Quando seus olhos então se deram conta, ele já estava sentado confortavelmente no Late Nite, o velho e companheiro bar, de tantos anos, porres e mágoas. Cirus era um rico homem, influente, bonito, inconsequente, e o Late Nite era tudo o que ele precisava.

Seu celular o olhava de cima de sua mesa, piscando, chamando, clamando sua atenção, mas era sempre seu velho copo de whisky, o mais caro do bar, que acabava ganhando o carinho de sua mão. Sua mesa estava somente acompanhando-o, enquanto o resto do bar continuava sua vida, com muitas pessoas cuidando de seus próprios copos, cigarros e demônios.

Seu olhar vagava pelas luzes azuis suaves, pelos letreiros e rótulos refletindo o neon, atrás do barman. Barman esse que lhe acenou com certa reverência nos olhos. Cirus era rico, muito rico, afinal. Ao aceno de sua cabeça, trouxe mais uma dose a ele.

- Tudo bem com o senhor, Sr. Cirus?

Não que o barman realmente esperasse resposta, ele nunca a ganhava. Virou-se para voltar para o bar para atender um pequeno grupo de garotas.

- Tudo sim, Joe.

Voltou-se espantado para Cirus, perguntando a si mesmo como o grande Skyh Cirus sabia seu nome, até se lembrar de seu crachá por cima da camiseta de linho. Porém, o olhar de Cirus já estava longe, fixo no grupo de garotas.

Cirus atentamente observava um rosto no meio daquela pequena multidão. Ele sempre se sentia assim, um demônio olhando para um anjo. Sorriu de leve ante aquela face inocente.

- Hey, Joe. Última rodada, e por favor, chame aquela garota.

Joe seguiu o olhar de Cirus e localizou a garota. Rapidamente voltou com o drink e uma sorridente moça, dentro de seu vestido negro como ébano e olhos azuis como safiras. Seu cabelo era ouro e trovões.

- Aqui está, Sr. Cirus - disse colocando o copo e puxando uma cadeira para a garota -, com sua licença. - retira-se rápido e aí termina a sua parte naquela noite do Cirus.

"Bom garoto", ele pensa consigo mesmo.

E ela um estonteante sorriso ecomeça a falar. Sobre o mundo, sobre como a vida é, sobre os problemas no caminho. Cirus, como um bom ouvinte, somente a observa por cima da borda do copo.

Ele mal prestava atenção ao que ela falava.

Ele só queria uma coisa.

Uma coisa.



As luzes da cidade brilhavam até se perder no mar. Vinte e um andáres acima da cidade.

Ela está tão perto dele que ele sente que pode mergulhar naqueles olhos azuis. Azuis como o mar.

E é aquele momento, aquela pausa daqueles olhos, a calma antes da tempestade, que ele começa a se sentir um pouco culpado. Cirus não é um homem de culpa.

Logo irá acabar, ele pensa.

- O que você pode me oferecer?

- O que você quer? - ela responde.

- Acho que eu fico com tudo.

Ela tinha muito a dar, ele ficaria com tudo, e a luz da cidade foi testemunha.

Lentamente eles despem suas roupas, e a visão que ele tem quase brilha, brilha tanto quantos seus olhos. Olhos de demônio, ele pensa sorrindo.

Ela também sorri.

E ele quebra aquele sorriso enquanto os joelhos dela tocam o chão.

Cirus sequer se dá ao trabalho de prestar atenção, enquanto seus olhos varrem a escuridão do céu e a luz da cidade. Ele não se importava e sabia disso. Mas a culpa estava longe, a culpa não tem espaço nele, ainda mais enquanto sente aquilo que ele sempre gostou de comparar a uma descarga elétrica em todos os nervos da região que ela agora trabalhava tão intensamente, com uma vontade que não constrastava com seu rosto inocente.


thomas.

20100207

my lonely world of grey

Imagine uma cena comigo, então.

Imagine o maior deserto que você já viu, com direito ao infinito horizonte em todas as direções. Com direito à esterilidade seca, a apoteose mítica de cada grão que cobre a vastidão daquele chão sem deus. Ponto a ponto, quilômetro por quilômetro, você verá, com aquele olho da mente que todos nós temos, tijolos. Tijolos em seu ordenado emaranhado, com seu esqueleto de metal indestrutível, agora ruíndo às ferrugens que estão fadados, não importa o que os mortais humanos digam.

E esses tijolos formarão casas, prédios, fábricas, chaminés, criptas de um mundo que já se foi em meio ao tempo.

É um triste cenário, sim. Mas some a isso tudo um céu cinza. E o cinza se estende em direção a todos os infinitos horizontes que o olho da sua imaginação consegue conceber, e imagino que estejamos perto do infinito realmente.

Estamos vendo então um deserto do que um dia foi uma cidade. E não é um deserto de areia, é um deserto de cinzas.

Tudo é cinza, tudo é lama seca no deserto.

Mas não é vazio esse deserto, não. No canto dos seus olhos, na parte onde você não vê com certeza, mas vê assim mesmo, existe vida. Algumas são como vocês podem conhecer. Ratos, baratas, alguns distantes corvos no céu. São animais da carniça e da desolação, e só eles conseguiram sobreviver àquela mímica de estrelas que varreu todo o planeta.

Há vida no canto do seu olho.

Há mecanização no centro do seu olho.

Quando o mundo seguiu adiante, se perdendo nas cinzas e no calor, se perdendo no infinito dos seus horizontes, a brincadeira de ser deus do ser humano permaneceu. Afinal, era a máquina meia-humana ou o humano meio-máquina?

Robôs se espalhavam pelo cenário. A maioria já estava parada, enferrujando como latas de refrigerante. Enferrujando como o coração dos poucos humanos que sobreviveram.

Mas continue imaginando, agora que você compreende o que nos aguarda.

No fim de todos os horizontes, há luz. Branca, quente. É a luz do sol, nosso eterno pai, lançando suas lágrimas de luz ao povo que esqueceu de si mesmo. E uma réstia, fina como as razões humanas, desce ali, na frente do quadro que você está pintando comigo. E essa luz, pela incrível ironia de todos os deuses do universo, ilumina o topo de uma pequena colina, nua em cinzas.

Você alguma vez já reparou as cores em um mundo cinza? Elas parecem gritar, parecem tentar se expremer todas de uma só vez por entre seus olhos, e seus olhos as recebem, como sedentos achando um oasis. E as cores são os oasis desse deserto cinza.

No seu olho agora existe uma pequena garota. E essa pequena garota, naquele mundo que já morreu, era muito, muito mais do que aqueles animaizinhos no canto do teu olho ou os sensores daquelas máquinas no centro dele queriam imaginar. Na mão dessa garota, uma fina corda sobe aos céus, quase invisível, mas refletindo a luz que desce naquela pequena falha no cinza que cobre todos como a linha de prata que prende um sonho à sua cansada cabeça. Na ponta dessa corda, se estendendo à leve brisa que ninguém vê, mas todos sentem, até mesmo os sensores daquelas pequenas máquinas, está um balão vermelho.

Um vermelho vivo, um vermelho notável. Um oasis desse deserto cinza.

A face dessa menina é negada a nós que pintamos essa imagem. Seus longos cabelos, cinzas naquela luz, encobrem seu rosto, e o balão vermelho acima dela parece sorrir com amargura, num jogo de luzes a muito não visto naquele mundo. Uma imagem única.

Porém, o mais necessário para entender essa imagem, você só percebe agora. Como alguém que acaba de dar seu primeiro suspiro após anos de coma, a realidade aparece, brinca, sai da caixa como um pequeno palhaço com sua enferrujada mola eternamente presa embaixo de si.

Parado em frente à menina do vestido rosa, está um robô.

Sua carne crua e metálica se estende nas formas de um ser humano, dois metros de altura e quase meia tonelada de aço eterno, eterno num mundo de cinzas. O rosto dele, com aqueles elétricos olhos azuis, azuis tão brilhantes como o vermelho do balão, tão frios quanto o outro quente.

E você vê então a parte visual completa desse nosso quadro. Um grande robô, uma pequena criança. O azul dos olhos, o vermelho do balão. O cinza do mundo e o dourado do sol.

Até o infinito.




Mas talvez, naquele futuro, se houvessem ainda pintores ou pessoas que poderiam te mostrar esse quadro, eles talvez lhes contariam ou mostrariam mais do que os olhos podem ver.

Talvez eles te fizessem sentir o ozônio estalando na sua garganta, vinda da eletricidade que emanava dos olhos azuis e frios daquele robô.

Talvez eles te fizessem ver a suavidade de pequenas gotas de óleo descendo pelos cantos danificados dos olhos azuis e frios daquele robô.

Talvez eles até podessem te fazer ler as palavras que gotejavam do robô, eternizando um amor que ele não havia sido programado para sentir. Nem a culpa que agora gritava por entre circuitos e fluídos daquela máquina, que se misturavam ao calor do sangue da menina, que brilhavam fora da vista de quem visse o nosso quadro.

E você perceberia, se ainda fosse humano o suficiente, você entenderia que num mundo cinza, onde as cores eram oasis e ser não precisava necessariamente significar viver, que estamos fadados a morrer por aquilo que não entendemos. Fadados a morrer por aquilo que sentimos. E no fim, nós mentimos. E no fim, nós guardamos tudo para nossas pinturas. No fim, estamos todos mortos.

Estamos todos mortos.



Thomas Hanauer
07/02/2010

20100125

"...alguém pra chamar de meu."

E porque eu agora não consigo dormir, pensando que procurei nas pessoas erradas um meio de mentir pra si mesmo sobre quem querer de verdade.

20091228

Rascunho de aniversário

Todo mundo tem momentos em que a "coisa ta preta", e cada um tem o seu jeito de resolver, ou a maneira de se aliviar.
O que me ajuda são as palavras. E aqui, encontro alguém com uma imensa habilidade com elas.
Se não me resolvem o dia, ao menos me confortam e dão segurança. Seja encontrando as respostas de perguntas jamais solucionadas, testemunhando aquilo que ninguem vê, ou só pra sentir a tua mão na minha, é com as tuas palavras que meu dia melhora.
Sinceros agradecimentos,
Lhama